9 de outubro de 2011

CONCEITOS HEIDEGGERIANOS NO FILME NÁUFRAGO.



O filme Naufrago (2000), que tem no papel principal o ator Tom Hanks, serve para ilustrar alguns conceitos de Heidegger, como veremos a seguir.

Na história, Chuck (Hanks) é um alto executivo da Federal Express (FEDEX), um homem controlado pelo relógio, cronômetro, agenda, bip e celular. Trata-se de um ser-aí vivendo cotidianamente, uma vida de mediocridade e falatório. O personagem é um homem “elétrico” que quase não consegue viver de forma autentica. E de tanto viver de forma inautêntica, essa se tornou sua forma autêntica de ser. Essa inautêntica forma autentica é demonstrada em várias passagens do filme, mas especialmente na noite de natal quando presenteia sua noiva com agendas e bipes e acaba por esquecer no bolso a aliança de noivado....

Quando está na Rússia a trabalho, cobra de seus colaboradores que se adéqüem ao seu ritmo frenético de viver, pois Chuck é um homem que vive em função do tempo.

Viver em função do tempo lhe proporciona uma certa segurança e estabilidade. Mas de acordo com Heiddegger, vivemos num mundo inóspito onde a segurança e a estabilidade não existem. Assim, Chuck conhece a angústia da instabilidade quando seu avião cai no oceano e só ele sobrevive.

Quando acorda, debaixo de chuva, num ambiente inóstipo, Chuck ainda não se dá conta da realidade, pois tenta buscar ajuda de alguma forma, acenando para os aviões ou escrevendo SOS na areia, sem sucesso.
Assim, aos poucos Chuck vai se adaptando à nova vida. O tempo que antes era controlado pelos instrumentos passa a ser controlado pelo por-do-sol, através de riscos na parede.

Os entes intramundanos também se fazem presentes na história: a bola Wilson ganha vida e adquire uma certa importância na vida solitária de Chuck.
Wilson se torna o companheiro inseparável de Chuck, é seu ouvinte, seu confidente e seu mentor. Embora intramundano, este ente é tratado como um ser-no-mundo.
Quando Chuck decide sair da ilha leva Wilson consigo, mas este cai no mar e Chuck chora a perde deste ente intramundano que ganhara algum sentido na sua vida solitária.

Mas ao retornar para a vida urbana, após 10 anos vivendo na ilha, Chuck simplesmente não consegue se adaptar, e esta vida passa a lhe ser inóspita. Chuck ressignificou seu tempo e sua existência que antes era controlada pelo cronômetro, agora ganha um outro ritmo, e outro sentido.
Quando percebe que sua ex-noiva agora está casada e com filhos, Chuck se conforma e sai em busca de si mesmo, em busca do seu ser-no-mundo. Mas onde estaria o mundo de Chuck?
Assim, Chuck adquire outro ente intramundano a fim de substituir aquele que foi tragado pelo mar: compra outra bola Wilson e parte para algum lugar....

♥ psicologa bradesco sp



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