15 de setembro de 2016

Diferentes tipos de apego

As pessoas não amam da mesma forma, não se apegam, nem se desapegam da mesma forma. Como entender estas diferenças?

Minha compreensão sobre o assunto passa pela Teoria dos diferentes tipos de apego de J. Bowlby.

Para este autor, a base de formação dos laços afetivos se dá na infância, no contato com o cuidador, pois segundo ele: "Numa parceria feliz existe um constante dar e receber" 

Bowlby afirma que a ontogenia dos vínculos afetivos se desenvolve porque nascemos com uma tendência à aproximação de certas classes de estímulo e a evitação de outras (2006, p.99).

Isso nos informa que os indivíduos buscam agrupar-se sempre com seus pares, ou com quem tenham o mínimo de afinidade, o que no senso comum equivale ao famoso ditado "os semelhantes se atraem" .

Abreu (2005) nos informa que a vinculação entre casais apresenta semelhanças com a vinculação infantil, salientando que:

a) da mesma forma que a criança, o adulto tende procurar seu parceiro nos momentos de grande ansiedade;
b) a imagem de seu cônjuge é associada à conforto e segurança (base segura);
c) a separação gera ansiedade, tanto na criança que se separa dos cuidadores, quanto no adulto que se separa do seu par. (p.149)

A forma como essa criança foi cuidada na infância, pode refletir no tipo de apego que ela demonstrará na idade adulta. Abreu (2005), categoriza os grupos de diferentes tipos de apego em:

a) Seguro -  este indivíduo é mais aberto à intimidade e não tem a preocupação em ser abandonado.

b) Evitativo - Aquele que não se sente confortável em ter intimidade, pois acha difícil confiar em alguém. Sente-se invadido quando alguém tenta manter um vínculo de proximidade, além daquilo que ele está disposto a oferecer.

c) Ambivalente - Extremo oposto do evitativo, acredita que não recebe afeto na mesma proporção que doa. (p. 150)

Naturalmente esta categorização é aproximada, bem como seus motivos, pois é comum ver-se crianças que tiveram uma infância dramática tornarem-se adultos confiantes e vice-versa. Repito: o que temos aqui exposto são aproximações conceituais.


Entretanto, apesar destas diferenças, o relacionamento afetivo entre pessoas diferentes pode sim dar certo, mas para isso é necessário que os pares se apropriem das suas diferenças, sem negá-las, assumindo defeitos e qualidades e mantendo sempre um diálogo aberto  com o parceiro.

Até porque, romance perfeito só mesmo nos contos de fada: no mundo real as pessoas precisam, sobretudo de entendimento e aceitação.



Referências

Abreu, C. N. de. Tipos de apego: Fundamentos, Pesquisa e Implicações Clínicas.São Paulo. Casa do Psicólogo, 2005


Bowlby, J. A. Formação e rompimento dos vínculos afetivos. Martins Fontes, 2006, São Paulo.



Rodrigues, S. Amor com dependência. Disponível em ~-~http://www.botucatu.com.br/portal/anexo/amor.pdf. acesso em 14-12-2011