27 de maio de 2013

Harry Potter e a Psicologia

Demorou, mas chegou o dia de falar sobre isso.

Passei um ano assistindo os 8 filmes da série, lendo e relendo os livros, buscando entender a razão pela qual essa saga mexe tanto comigo. Existem Várias razões, que não cabem aqui explicitá-las. Mas é necessário que façamos uma reflexão sobre alguns aspectos de ordem psicológica.

Em Harry Potter e a Pedra Filosofal (Rowling, 2000b), o herói é apresentado como um bruxinho que cresceu sem saber de sua condição especial. Seus pais foram vítimas de um poderoso bruxo das trevas, Lord Voldemort, que não conseguiu matar Harry, ainda bebê, deixando-lhe apenas uma cicatriz na testa. Nessa tentativa, o bruxo perdeu seus poderes e desapareceu, fazendo do menino sobrevivente um prodígio, um salvador do mundo dos bruxos, que estavam aterrorizados sob esse poder maligno.

Aqui temos a separação entre Harry e seus pais. Podemos tratar deste assunto a partir da Teoria do Apego de Bowlby, quando este menciona os tipos de apego (seguro, evitativo e ambivalente). Naturalmente esta perda prematura de seus pais, fez com que Harry desenvolvesse um tipo de apego evitativo, uma vez que no decorrer de sua vida tem uma certa facilidade pra se relacionar, mas a mesma facilidade para arranjar desafetos.
Podemos notar que em muitas passagens da história, ele tenta se desvencilhar dos amigos para solucionar alguns problemas, como é o caso da busca pelas Horcruzes, em "As reliquias da Morte". Nesta passagem ele tenta sair da "Toca" assim que todos dormem. Tal comportamento seria chamado de evitativo, por Bowlby.

o mundo de Harry Potter é dividido em duas comunidades, os bruxos e os trouxas, sendo esses últimos os que não trazem a magia no sangue. Quando trata da comunidade trouxa, a história nos mostra a nossa realidade cotidiana. como exemplo, em vários momentos, na história, quando ocorre algum evento que reúne grande número de bruxos, para que estes não sejam descobertos pelos trouxas, são lançados feitiços que fazem com que estes, ao se aproximarem dos lugares mágicos, se lembrem de compromissos urgentes e se afastem correndo.

Acredito que nossa realidade "trouxa" esteja tão angustiante que vivenciar um pouco de magia não faz mal nenhum. Não seria bom se tivéssemos uma varinha que nos obedecesse, uma vassoura que nos levasse para qualquer lugar, sem a necessidade de pagar IPVA, de passar pela vistoria; se tivéssemos um viratempo que nos permitisse atender os inúmeros compromissos na mesma hora em diversos locais?

É justamente nesse momento, para Harry, que aparece a Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts bem como os novos amigos Rony e Hermione. Nesse momento, também, começam as aventuras iniciáticas do nosso pequeno herói, em que ele luta com monstros e desvenda mistérios.

Amigos! Interessante notar que eu nunca vi nenhum teórico da psicologia escrever sobre a amizade de forma mais estrita. A Social fala de comportamento grupal, então isso é o que temos pra hoje. (Se alguém se lembrar de alguma outra teoria, me avise).
Mas de acordo com a Psicologia Social, o homem é um ser gregário, que precisa conviver com os outros para se proteger. Tal comportamento é uma medida evolutiva que visa preservar nossa espécie, pois os nossos ancestrais que viviam em bandos tinham mais força para lutar contra os predadores. Tal comportamento evoluiu geneticamente e ainda hoje, nós precisamos de amigos pra nos ajudar a vencer os predadores que mudaram de cara....
Como na obra de Rowlings, os amigos de Harry estão sempre disponíveis e não medem esforços para auxilia-lo,

Continua...

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