29 de dezembro de 2012

A vida acadêmica do estudante de Psicologia

(Isto é uma crônica. Qualquer semelhança com a vida real é mera coincidência. Por favor não levem a sério)

Num "belo dia", uma moça vê o anúncio histriônico de uma Universidade, chamando aquela pessoa para ingressar em seu corpo discente, apelando para o seu futuro, onde uma "brilhante carreira a espera". Ela pensa, conversa com os íntimos e ..decide: vai estudar. Mas o que?

A oferta é imensa: direito, veterinária, administração, secretariado, pedagogia, história, computação...psicologia... Sim! É isto! Psicologia! Ela vai estudar psicologia e será psicóloga. Decerto ouviu desde pequena falarem que é uma bonita profissão, "ajudar os outros, ouvir as pessoas". Ela presta vestibular, passa, faz sua matrícula e aguarda ansiosa pelo inicio das aulas.

Chegou a primeira semana de fevereiro: ela dá um trato na visual, compra uma roupa nova, afinal na faculdade todos devem ser muito "styles". E deslumbrada ela se dirige ao local. Na sala de aula, algumas pessoas (tão ansiosas quanto ela) aguardam para conhecer este universo tão misterioso, tão envolvente... E eis que finalmente chega a coordenadora do curso explicando como as coisas funcionam: as aulas, as atividades complementares, o laboratório, o TEAP...ops... que raios será isso? Alguém na sala levanta a mão:

- Professora, o que é um TEAP?
Ouvem-se algumas risadinhas abafadas, mas o aluno não se abala e a coordenadora responde:

- TEAP é o local da universidade destinado aos estudos de psicologia. É lá que ficam guardados os materiais de uso restrito...

Terminadas as explicações preliminares, a tão esperada aula começa: é GENÉTICA HUMANA. Genética???????????? alguém questiona:

- Mas pra que aprender genética?

A professora pacientemente responde que para conhecer um ser humano é neessário começar por suas bases biológicas, afinal como você espera lidar com aqueles pacientes que têm síndromes genéticas? Como aconselhar seus pais se você sequer sabe o que a criança tem? A aula prossegue com a leitura da ementa. Mãos ansiosas anotam tudo o que a professora fala, os livros, os textos, etc.
No internvalo, a fila se forma na biblioteca... será que alguém sabe onde é a biblioteca? Com muito custo, nossa caloura a encontra, mas..seus colegas foram mais rápidos: não sobrou nenhum livro de genética, só os complementares. paciência. Ela tentará amanhã!

Quase no final da aula, é necessário eleger um representante de classe, e mais que depressa alguém levanta a mão, afirmando que tem disponibilidade para receber e enviar emails; tirar xerox, organizar a pasta, etc.. Ok.. temos um representante. Ou dois.

Uma semana depois, todos já se conhecem e conhecem seus professores. As conversas de corredor são sempre as mesmas: " você gostou do professor X?" "O professor Y é o máximo sabe tudo de psicologia!!!"; ou "Ele falou sobre fenomenologia. O que será que é isso?"."A professora z parece que é bastante exigente!!"

Final de bimestre: PROVAS! Todos estão na bilioteca com as cabeças enfiadas nos livros de genética; história da psicologia, homem e sociedade, etc... Nossa caloura não encontra lugar e dirige-se até a escada para estudar um pouco, pensando " o pior foi o trabalho em grupo, a colega X me ajudou, mas a  Y não fez nada, nem se interessou e vai ganhar nota do mesmo jeito. O outro grupo caprichou, mas também pudera. Todos lá tem mais tempo, mais recursos"

A nota das provas não foi tão boa. Ela pensa desolada que deveria ter se esforçado mais, afinal era uma aluna brilhante no ensino médio.. faculdade é realmente muito mais dificil...

No final do semestre, ela ve que não tem nota suficiente pra passar, tenta negociar com o professor para ganhar meio ponto, mas não adianta, é exame na certa. Ela rala para não pegar DP, o que seus pais diriam???

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No final do primeiro ano ela continua deslumbrada: todos os professores são bons, as matérias são ótimas, a universidade maravilhosa, o café da cantina delicioso, só alguns colegas de classe são "meio chatos.. se acham".

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NO final do segundo ano, ela ainda está deslumbrada, mas alguns professores não parecem tão brilhantes, as matérias parecem mais difíceis, a universidade tem alguns problemas de ordem estrutural, o café tá meio estranho, os colegas da classe estão se divindo em panelinhas: os behavioristas de um lado, os psicanalistas de outro..

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No final do terceiro ano, parte do encantamento foi pro beleléu: os professores são mais exigentes, cobram um monte de relatórios e fichas intermináveis, as matérias são quase incompreensíveis, (várias noites de sono são sacrificadas a fim de desvendar quem é o sujeito-suposto-saber. Alguém sabe???) a universidade tá muito cara, o café ta cada vez mais fraco, as panelinhas definitivamente se dividiram: Behavioristas de um lado, Psicanalistas de outro e alguns humanistas no meio que jamais tomam partido nas discussões acadêmicas.

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No final do quarto ano, a aluna quase não para em pé: todos os professores, orientadores e supervisores exigem muito, a quantidade de fichas e relatórios quintuplicou, as matérias ficaram inatingíveis, os estágios exigem noites de sono e sacrificios de finais de semana. O TCC exige que se decore as normas da ABNT... Não há mais tempo para cafés.Balada é uma palavra que foi riscada do dicionário da nossa amiga há muto tempo. As panelas continuam a se desentenderem e o que é pior.. cada qual acredita que a sua abordagem tem competencia suficiente para lidar com a demanda ...e os humanistas, como sempre, no meio, botando panos quentes, afinal somos todos "seres-no-mundo"

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Final de quinto ano. UFA! acabaram-se as exigencias, os textos indecifráveis, os relatórios, as fichas, o TCC foi entregue, as panelas se dissolveram, se misturaram para o grande evento: a colação de grau. Neste dia ela chora, e ao olhar para trás, em a sensação de quem subiu uma montanha e que ao olhar para cima, percebe que a caminhada está só começando. Agora é só ela e seu diploma.. sem a presença dos professores exigentes que tanto ensinaram, sem as fichas que organizavam suas atividades, sem a cobrança dos supervisores e orientadores que corrigiam seus projetos e relatórios, dando sugestões pertinentes.. sem as panelas que a auziliavam a refletir sobre as vantagens e desvantagens de cada abordagem... sem os humanistas, sempre no meio, dando apoio e acolhendo.... sem café!!!

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Conclusão:

A vida acadêmica não é fácil, mas é deliciosa. É um tempo que ficará pra sempre em nossas lembranças. Levaremos pra sempre a palavras dos professores e quem sabe, a organização dos supervisores e as cobranças dos orientadores. Mas.....o caminho quem tem de trilhar somos nós! Só nós!


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