31 de julho de 2013

Perdas, abandonos e solidão

Dizem os poetas que "é impossível ser feliz sozinho".

 Permita-me questionar levemente esta afirmação?

Questiono, primeiro porquê entendo que não há nada que seja impossível; segundo porquê o conceito de felicidade é relativo  e terceiro porque a solidão às vezes é desejável.

Naturalmente a poesia não tem a pretensão de tratar dos acontecimentos de forma concreta. tem de ser poesia, fantasia, utopia..Mas a realidade é diferente.

Na vida real, as pessoas são abandonadas, traídas, humilhadas, esquecidas, afastadas das coisas que gostam. Algumas conseguem superar estas perdas e voltarem a "ser feliz", mesmo sem ninguém.

As perdas são realmente algo muito doloroso, e nega-las não é  adequado, pois colabora para o aumento da ansiedade e comportamentos de esquiva. Há que se apropriar das perdas e abandonos... é necessário tomar consciência, chorar, sofrer... falar sobre o sofrimento durante algum tempo, até que " a roda da vida" gire novamente e o indivíduo se perceba aberto a novas possibilidades.

Esta abertura pode significar para alguns a "felicidade", um renascimento, a esperança de partilhar a vida com outras pessoas, ou mesmo, não partilhar com ninguém. Existem pessoas que preferem abandonar a vida afetiva e viver em prol de uma causa, de um objetivo mais nobre... e conseguem ser feliz (na medida do possível,pois felicidade completa não existe).

No entanto, quantas pessoas com alguém e não são felizes? Quantas abrem mão de si mesmas para viver em função dos outros? Quantos sonhos de realização são enterrados quando um "grande amor" nasce?

Penso que o pior abandono ocorre quando perdemos a nós mesmos!

♥ psicologa bradesco sp



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