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14 de janeiro de 2014

O que é perdoar?

"Perdoa o que puder ser perdoado... esquece o que não tiver perdão" (Gessinger, H.)

*psicologa bradesco*


Constantemente ouvimos falar que o perdão é importante para nossa "elevação", que "perdoar faz bem a saúde" e que "alivia o coração".



No entanto, o que deve ser entendido como PERDÃO?

Na verdade, este conceito não é fechado e dá margens à várias interpretações. 


Uma destas formas se relaciona com o esquecimento de um ultraje, mas como sabemos isto não é algo que se consiga somente com a boa vontade, exigindo uma ressignificação do ocorrido. Para que isto ocorra é necessário interpretar os acontecimentos sob outro viés, buscando compreender também os motivos que levaram alguém a agir de forma destrutiva. Na maioria das vezes, os desentendimentos ocorrem sob pressão do momento, o que faz com que as pessoas percebam o ambiente mais ameaçador do que realmente é, e isto pode levar ao medo da aproximação, e portanto à ausência de motivação para perdoar.



Naturalmente existem agravos de todos os níveis e quanto maior a ofensa, maior a dificuldade de ressiginificar e perdoar. Porém, sempre que possível, é útil repensar os acontecimentos deixando de lado as emoções, focalizando o fenômeno em si. Será que a mudança de contexto não poderia oferecer outra visão dos fatos?



O grande aliado do perdão é o tempo. Aquilo que hoje pode parecer impossível de se perdoar, daqui algum tempo poderá ser algo minúsculo.



Outro ponto que vale a pena se destacar é que o perdão não pressupõe o resgate da confiança nem do vínculo. Perdoar pode também ser entendido como a ausência de motivação para retaliação.



A magnitude da ocorrência pode deixar marcas duradouras na memória, acionando algumas partes do cérebro sempre que o indivíduo se deparar com circunstâncias que o remetam ao ocorrido, portanto não é a ocorrência em si que determina a gravidade, mas a forma como o indivíduo a percebeu.



Por isso, pra que o perdão ocorra de fato, é fundamental que haja motivação, coragem para enfrentar os novos riscos e desejo de ressignificar as relações. É possível perdoar, porém é muito difícil resgatar os vínculos da mesma forma. A relação "perdoada" será quase sempre, uma relação costurada, fragmentada, marcada por dissidências. Porém é necessário dar outro status a este tipo de relacionamento, considerando sempre que as pessoas (inclusive nós) podem errar de novo.



Perdoar não é "jogar na cara" do outro todos seus erros. Isto é desejo de reparação e nem sempre é possível reparar alguma coisa. Existes erros que são inesquecíveis. Se você acredita que não será possível conviver com a pessoa que o magoou, não tente restabelecer o vínculo. Reconstruir uma relação fadada ao fracasso só vai gerar mais estresse em todos O simples fato de não desejar retaliação já pode ser considerada uma forma de perdão. 



Mas se você entender que a relação pode ser resgatada, mesmo com ressalvas, e que os ganhos oriundos do vínculo podem superar a dissidência, sugiro que vá adiante. Se a outra parte não aceitar a reaproximação, não insista. Talvez o momento da ressignificação não tenha chegado ainda, ou talvez ela não tenha interesse em resgatar o vínculo. Neste caso é útil colocar-se a disposição da pessoa, de forma sincera e não esperar mais nada, tocar o barco e seguir adiante, lembrando que sua parte foi feita e não podemos obrigar ninguém a conviver conosco.




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