A vida acadêmica do estudante de Psicologia

(Isto é uma crônica. Qualquer semelhança com a vida real é mera coincidência. Por favor não levem a sério)

Num "belo dia", uma moça vê o anúncio histriônico de uma Universidade, chamando aquela pessoa para ingressar em seu corpo discente, apelando para o seu futuro, onde uma "brilhante carreira a espera". Ela pensa, conversa com os íntimos e ..decide: vai estudar. Mas o que?

A oferta é imensa: direito, veterinária, administração, secretariado, pedagogia, história, computação...psicologia... Sim! É isto! Psicologia! Ela vai estudar psicologia e será psicóloga. Decerto ouviu desde pequena falarem que é uma bonita profissão, "ajudar os outros, ouvir as pessoas". Ela presta vestibular, passa, faz sua matrícula e aguarda ansiosa pelo inicio das aulas.

Chegou a primeira semana de fevereiro: ela dá um trato na visual, compra uma roupa nova, afinal na faculdade todos devem ser muito "styles". E deslumbrada ela se dirige ao local. Na sala de aula, algumas pessoas (tão ansiosas quanto ela) aguardam para conhecer este universo tão misterioso, tão envolvente... E eis que finalmente chega a coordenadora do curso explicando como as coisas funcionam: as aulas, as atividades complementares, o laboratório, o TEAP...ops... que raios será isso? Alguém na sala levanta a mão:

- Professora, o que é um TEAP?
Ouvem-se algumas risadinhas abafadas, mas o aluno não se abala e a coordenadora responde:

- TEAP é o local da universidade destinado aos estudos de psicologia. É lá que ficam guardados os materiais de uso restrito...

Terminadas as explicações preliminares, a tão esperada aula começa: é GENÉTICA HUMANA. Genética???????????? alguém questiona:

- Mas pra que aprender genética?

A professora pacientemente responde que para conhecer um ser humano é neessário começar por suas bases biológicas, afinal como você espera lidar com aqueles pacientes que têm síndromes genéticas? Como aconselhar seus pais se você sequer sabe o que a criança tem? A aula prossegue com a leitura da ementa. Mãos ansiosas anotam tudo o que a professora fala, os livros, os textos, etc.
No internvalo, a fila se forma na biblioteca... será que alguém sabe onde é a biblioteca? Com muito custo, nossa caloura a encontra, mas..seus colegas foram mais rápidos: não sobrou nenhum livro de genética, só os complementares. paciência. Ela tentará amanhã!

Quase no final da aula, é necessário eleger um representante de classe, e mais que depressa alguém levanta a mão, afirmando que tem disponibilidade para receber e enviar emails; tirar xerox, organizar a pasta, etc.. Ok.. temos um representante. Ou dois.

Uma semana depois, todos já se conhecem e conhecem seus professores. As conversas de corredor são sempre as mesmas: " você gostou do professor X?" "O professor Y é o máximo sabe tudo de psicologia!!!"; ou "Ele falou sobre fenomenologia. O que será que é isso?"."A professora z parece que é bastante exigente!!"

Final de bimestre: PROVAS! Todos estão na bilioteca com as cabeças enfiadas nos livros de genética; história da psicologia, homem e sociedade, etc... Nossa caloura não encontra lugar e dirige-se até a escada para estudar um pouco, pensando " o pior foi o trabalho em grupo, a colega X me ajudou, mas a  Y não fez nada, nem se interessou e vai ganhar nota do mesmo jeito. O outro grupo caprichou, mas também pudera. Todos lá tem mais tempo, mais recursos"

A nota das provas não foi tão boa. Ela pensa desolada que deveria ter se esforçado mais, afinal era uma aluna brilhante no ensino médio.. faculdade é realmente muito mais dificil...

No final do semestre, ela ve que não tem nota suficiente pra passar, tenta negociar com o professor para ganhar meio ponto, mas não adianta, é exame na certa. Ela rala para não pegar DP, o que seus pais diriam???

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No final do primeiro ano ela continua deslumbrada: todos os professores são bons, as matérias são ótimas, a universidade maravilhosa, o café da cantina delicioso, só alguns colegas de classe são "meio chatos.. se acham".

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NO final do segundo ano, ela ainda está deslumbrada, mas alguns professores não parecem tão brilhantes, as matérias parecem mais difíceis, a universidade tem alguns problemas de ordem estrutural, o café tá meio estranho, os colegas da classe estão se divindo em panelinhas: os behavioristas de um lado, os psicanalistas de outro..

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No final do terceiro ano, parte do encantamento foi pro beleléu: os professores são mais exigentes, cobram um monte de relatórios e fichas intermináveis, as matérias são quase incompreensíveis, (várias noites de sono são sacrificadas a fim de desvendar quem é o sujeito-suposto-saber. Alguém sabe???) a universidade tá muito cara, o café ta cada vez mais fraco, as panelinhas definitivamente se dividiram: Behavioristas de um lado, Psicanalistas de outro e alguns humanistas no meio que jamais tomam partido nas discussões acadêmicas.

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No final do quarto ano, a aluna quase não para em pé: todos os professores, orientadores e supervisores exigem muito, a quantidade de fichas e relatórios quintuplicou, as matérias ficaram inatingíveis, os estágios exigem noites de sono e sacrificios de finais de semana. O TCC exige que se decore as normas da ABNT... Não há mais tempo para cafés.Balada é uma palavra que foi riscada do dicionário da nossa amiga há muto tempo. As panelas continuam a se desentenderem e o que é pior.. cada qual acredita que a sua abordagem tem competencia suficiente para lidar com a demanda ...e os humanistas, como sempre, no meio, botando panos quentes, afinal somos todos "seres-no-mundo"

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Final de quinto ano. UFA! acabaram-se as exigencias, os textos indecifráveis, os relatórios, as fichas, o TCC foi entregue, as panelas se dissolveram, se misturaram para o grande evento: a colação de grau. Neste dia ela chora, e ao olhar para trás, em a sensação de quem subiu uma montanha e que ao olhar para cima, percebe que a caminhada está só começando. Agora é só ela e seu diploma.. sem a presença dos professores exigentes que tanto ensinaram, sem as fichas que organizavam suas atividades, sem a cobrança dos supervisores e orientadores que corrigiam seus projetos e relatórios, dando sugestões pertinentes.. sem as panelas que a auziliavam a refletir sobre as vantagens e desvantagens de cada abordagem... sem os humanistas, sempre no meio, dando apoio e acolhendo.... sem café!!!

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Conclusão:

A vida acadêmica não é fácil, mas é deliciosa. É um tempo que ficará pra sempre em nossas lembranças. Levaremos pra sempre a palavras dos professores e quem sabe, a organização dos supervisores e as cobranças dos orientadores. Mas.....o caminho quem tem de trilhar somos nós! Só nós!


Comentários

  1. é vero! To no meio do caminho. Justamente hoje eu pensava 'adoro a faculdade, mas nao eh mais taaao legal...'
    Mas ainda gosto da caminhada!
    :)

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  2. Tava aqui pesquisando no google sobre o mercado de trabalho de psicologia, e acabei caindo aqui. Isso porque pretendo cursar psicologia na faculdade, tô fazendo cursinho pré-vestibular esse ano etc. Realmente, esse conto aqui já me deu uma noção do que vai vir pela frente quando eu passar em algo (Se eu passar, claro). Muito bom. Valeu!

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  3. Olá, eu cursei outros cursos, mas há pouco tempo recebi a notícia da aprovação em psicologia. E confesso que estou ansioso, muito animado para ter a vivencia abordada na crônica. :)

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