21 de novembro de 2016

Dificuldade de amar

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Alguns indivíduos se queixam da dificuldade em encontrar o “par perfeito”, a “alma gêmea”, etc, e nesta busca enveredam por mil caminhos diferentes, percorrendo caminhos tortuosos. 

Considerando que as relações se estabelecem em função das gratificações que proporcionam, é natural que os indivíduos busquem se relacionar com pessoas que possam “preencher” suas necessidades mais elementares de afeto.

Neste caso, existem vários níveis de dificuldade:
  1. onde encontrar pessoas;
  2. como abordar pessoas;
  3. como estabelecer o vínculo;
  4. como manter o vínculo;
  5. como manter a qualidade da relação
1. Onde encontrar pessoas

Para encontrar pessoas que tenham afinidades mínimas com você, é necessário ajustar a sua busca em ambientes onde estas pessoas possam ser encontradas. Em ambientes onde as pessoas buscam apenas descontração, podem ocorrer bons encontros, porém não se pode garantir que durem por muito tempo. Mas vale o risco.

1. Como abordar pessoas.

Para muitos, este é o momento "bicho-papão". Porém a dificuldade poderá ser minimizada se o indivíduo deixar de lado o medo de arriscar e tentar uma aproximação sutil, sem muita intimidade. Um bom começo é falar sobre o local onde se encontram, perguntar o que a pessoa está achando do local, etc.Cuidado com elogios neste momento: podem ser bem vindos, desde que não sejam invasivos.

3. Como estabelecer vínculos

Este passo não é o mais difícil, porém é o que dá mais trabalho, pois exige muita cautela, uma vez que é necessário conhecer o funcionamento emocional, e a rotina da outra parte, a fim de saber em que momentos os contatos podem ser feitos e o que esperar dela. Para que ocorra uma boa vinculação, é necessária observação e paciência.

4. Como manter vínculos
Abreu (2005) informa que a vinculação entre casais apresenta semelhanças com a vinculação infantil, salientando que:

a) da mesma forma que a criança, o adulto tende procurar seu parceiro nos momentos de grande ansiedade; b) a imagem de seu cônjuge é associada à conforto e segurança (base segura); c) a separação gera ansiedade, tanto na criança que se separa dos cuidadores, quanto no adulto que se separa do seu par. (p.149)
Para manter o vínculo, é necessário manter o relacionamento em segurança, evitando atitudes que coloquem em risco a confiança, de forma irreversível. 
Levine e Heller (2013) apontam que existem dois tipos de apego, os  (a) ansiosos e (b) evitativos:



A.Os tipos ansiosos

Geralmente exigem atenção e demonstração de afeto, a fim de que conseguirem a confirmação que são realmente amados. Entendem que uma relação seja como uma fogueira que deve ser cuidada para que não se extinga. 
Para quem se relaciona com indivíduos que se aproximam deste padrão de apego, os autores (op. cit.) sugerem que ofereçam a eles a base segura que lhes falta.
Porém isto nem sempre é fácil. Oferecer segurança a quem não adquiriu ao longo do desenvolvimento pode ser uma tarefa dolorosa, pois requer muita sabedoria. É necessário que haja um diálogo claro, onde as pessoas busquem conhecer suas necessidades afetivas e consigam equilibrar os ganhos e as perdas. 

B. Os tipos Evitativos
Segundo Levine e Heller (2013) São aqueles que parecem que estão sempre fugindo de uma relação. Mas isto não significa que  não amem seu parceiro, apenas que precisam manter seu espaço preservado. Tais indivíduos geralmente não costumam partilhar seu afeto além daquilo que julgam adequando, pois temem que serão invadidos e terão sua individualidade comprometida. 
A melhor forma de se relacionar com estes indivíduos é oferecendo a eles o espaço necessário para viverem de forma autêntica. Mas isto também não é fácil! Afinal que se relaciona geralmente deseja compartilhar vivências e afetos. É importante que haja paciência e compreensão, para negociar com o parceiro evitante o espaço necessário para o relacionamento. Convém não forçá-lo a estabelecer relações mais íntimas do que podem oferecer, uma vez que esta atitude evitativa possivelmente foi adquirida ao longo do desenvolvimento. Por isso “forçar a barra” só vai fazer com que ele se afaste ainda mais.


No entanto, a sugestão que se faz para quem está com dificuldades de se relacionar com o ansioso ou com o evitante é que verifique prioritariamente as próprias necessidades afetivas e a disposição em negociar com pessoas diferentes e pouco dispostas a mudar. Se o relacionamento for gratificante, convém buscar apoio terapêutico para mediar os conflitos e ajustar as necessidades.

Apesar das diferenças pessoais, um relacionamento afetivo dar certo, mas é necessário que os pares se apropriem das suas diferenças, sem negá-las, assumindo defeitos e qualidades e mantendo sempre um diálogo aberto.



5. Como manter a qualidade da relação



Uma relação de qualidade tem de ser boa para os dois. E para que isto ocorra é importante que os envolvidos conheçam os pontos fracos e fortes do outro, buscando alternativas para evitar o estresse e a confrontação desnecessárias. Neste artigo você encontra algumas dicas de como proceder neste sentido.



Variáveis sócio-históricas

Outro ponto importante a considerar é o momento histórico que atravessamos: somos ensinados (através da mídia, principalmente) a temer e desconfiar de todos.

Ensinaram-nos que:

  • O outro é um concorrente, não um semelhante; 
  • o outro é uma ameaça, não uma fonte de apoio;
  • o outro é diferente;
  • o outro é pior;
  • o outro é melhor;
  • o outro tem mais;
  • o outro tem menos;
  • etc.

Desta forma, vamos formando "classes" de pessoas com interesses parecidos.É tendência do ser humano se relacionar com seus pares, ou seja, aqueles que têm interesses em comum. A dificuldade surge justamente quando precisamos nos relacionar com o diferente. Como deixar de lado as diferenças e estabelecer relações saudáveis, se não formos ensinados? Como deixar de temer o diferente? Como confiar no outro? Bem, são questões difíceis e exigem muita reflexão. 


No entanto, alguns pontos devem ser observados:


 1º Compreender o que é um relacionamento - Relacionamentos são vias de mão dupla. É preciso disposição para compreender e se adaptar ao outro.



 2º) Romper as barreiras - Passar em revista seus valores e verifique se não é você que está rejeitando o mundo a sua volta. Algumas pessoas tendem a eliminar certos relacionamentos por medo de ser "contaminados" pelas ideias alheia e desta forma, perdem a chance de conhecer pessoas maravilhosas e viverem bons momentos. Se este não é seu caso, ótimo. Se for, verifique o que é melhor: conviver com suas ideias cristalizadas e na solidão ou abrir mão delas e estabelecer relacionamentos saudáveis?



3º Estar disponível: Bons amigos ou parceiros afetivos não caem do céu. Estas relações precisam ser cultivadas. Por isso é importante sair do ostracismo e demonstrar desejo de proximidade por meio de atitudes simples. 





Conclusão:

Seja lá qual for o motivo que leva os indivíduos a apresentarem dificuldades nos relacionamentos, é fundamental não negar este fato. 
Assumir a dificuldade é o primeiro passo para modificá-la.

A modificação passa obrigatoriamente pela ressignificação da auto imagem, exigindo a revisão de conceitos e preconceitos, mitos, lendas e crenças, destruindo ideias cristalizadas a respeito de si mesmo e do mundo, abrir-se ao outro, deixar de lado (na medida do possível) o medo da rejeição e o sentimento de superioridade, pois são barreiras que contribuem para o isolamento social, trazendo prejuízos em todas os contextos.

Se você convive com pessoas que têm dificuldade de relacionamento, saiba que a solução não é forçar o indivíduo a se relacionar, ao contrário, devem-se buscar os reais motivos que conduziram este indivíduo a esta situação de isolamento, portanto cuidado para não invadir o espaço da pessoa ao tentar ajudar.

Pode ser que ela não queira a sua ajuda. Se precisar, com certeza pedirá.



Seja lá qual for o motivo que leva o indivíduo a não se expor, só podemos considerar como problemático o comportamento de esquiva que tiver trazendo sofrimento para o indivíduo. Nestes casos, sugiro que busque por apoio terapêutico.





Referências

ABREU, C. N. de. Tipos de apego: Fundamentos, Pesquisa e Implicações Clínicas. São Paulo. Casa do Psicólogo, 2005.



LEVINE, A; HELLER, R.S.F. Apegados: um guia prático para estabelecer relacionamentos românticos e duradouros. Ribeirão preto. Ed. Novo Conceito: 2013.



Texto escrito por 
Maristela Vallim Botari 
Psicóloga - CRP-SP 06/121677
Contato: psicologamaris@gmail.com
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