As Fases do Luto nos relacionamentos amorosos
Índice do Conteúdo:
1. A Neurobiologia da Perda Amorosa
Quando um vínculo é interrompido, o cérebro pode reagir de forma semelhante à abstinência química.
Segundo os estudos de Elisabeth Kübler-Ross a separação pode provocar quedas bruscas nos níveis de dopamina e ocitocina, substâncias responsáveis pelas sensações de prazer e segurança.
Pesquisas em neurociência — como as conduzidas por Helen Fisher — sugerem que a rejeição amorosa e a separação ativam áreas cerebrais associadas ao desejo, ao vínculo e à dependência, indicando que o rompimento pode ser processado, em parte, como uma forma de “privação” relacional.
Estudos também apontam que a separação pode estar associada a quedas nos níveis de dopamina e ocitocina, substâncias relacionadas às sensações de prazer, motivação e segurança emocional. Ao mesmo tempo, pode ocorrer aumento do cortisol, o hormônio do estresse, com ativação de regiões cerebrais envolvidas no processamento da dor física, como o córtex somatossensorial secundário e a ínsula dorsal posterior.
Esse conjunto de respostas ajuda a compreender por que a dor da perda pode ser percebida de forma corporal e intensa, podendo vir acompanhada de sensações como aperto no peito, apatia, tristeza profunda e angústia — variando em forma, intensidade e duração conforme a história e os recursos emocionais de cada pessoa.
2. Os 5 Estágios do Luto Afetivo
Segundo os estudos pioneiros de Elisabeth Kübler-Ross:, atravessamos estágios que nos auxiliam a processar a perda de alguém (ou algo) e reorganizar nossa identidade sem o outro.
Ela aponta que existem cinco estágios do Luto: Negação, raiva, barganha, tristeza e aceitação.
Nesta fase do luto pessoa tende a se recusar a acreditar na perda e pode buscar informações para tentar encontrar uma explicação para o ocorrido. É como se houvesse uma resistência em aceitar a realidade da situação.
Segundo a própria Kübler-Ross: "A negação é mais do que simplesmente uma recusa em acreditar no fato de que alguém ente querido se foi. É uma espécie de amortecedor psicológico que nos ajuda a amortecer o impacto inicial do fato".
Pode ser um momento de orações ou promessas para que tudo se resolva.
Kübler-Ross destaca que "as pessoas podem fazer promessas extravagantes na esperança de que nada disso tenha acontecido. Essa negociação pode ser uma maneira de lidar com a dor”.
Depois vem a fase da depressão. A pessoa pode sentir uma tristeza profunda, podendo ainda perder o interesse nas atividades cotidianas e sentir o vazio em sua vida.
Kübler-Ross afirma que "a fase da depressão é quando tudo se torna real e quando a pessoa percebe que a negação, a raiva e a barganha não vão funcionar. É um momento em que há muita dor e sofrimento, mas é uma fase necessária para a recuperação".
Por fim, vem a fase da aceitação. É quando a pessoa finalmente aceita a perda e compreende que é uma parte natural do ciclo da vida. Embora a dor ainda possa estar presente, a pessoa tende a se adaptar à nova realidade e a seguir em frente.
Kübler-Ross diz que "a aceitação não significa que a pessoa tenha superado completamente a perda, mas sim que ela começa a aceitar que essa pessoa ou coisa que ela amava não está mais presente em sua vida".
4. As cinco fases do Luto amoroso
O fim de um relacionamento frequentemente mobiliza um processo de reorganização da identidade.Essa reorganização tende a não ser imediata. Em muitos casos, pode ocorrer como um desligamento gradual das marcas do outro, começando por aspectos mais concretos — rotinas, objetos, horários, programas — e, com o tempo, alcançando camadas mais profundas, como projetos de vida, referências afetivas e narrativas pessoais.
Esse percurso pode, em parte, se aproximar das chamadas fases do luto, descritas por Elisabeth Kübler-Ross, entendidas hoje como possíveis estados emocionais — não etapas fixas nem obrigatórias. Após uma ruptura, a pessoa pode experimentar, em diferentes ordens e intensidades:
-
negação, com sensação de irrealidade ou dificuldade de aceitar o fim
-
raiva, que pode se dirigir ao ex-parceiro, a si ou à situação
-
barganha, com pensamentos do tipo “se tivesse feito diferente…”
-
tristeza, com retraimento e maior sensibilidade emocional
-
aceitação, quando a realidade do término passa a ser mais integrada
Nem todos vivenciam todas essas fases, e elas não necessariamente seguem sequência linear — podem alternar e até coexistir.
No processo de reconstrução identitária, podem estar envolvidos movimentos como:
-
revisão de papéis e expectativas que estavam vinculados ao vínculo
-
retomada gradual de interesses pessoais possivelmente deixados em segundo plano
-
reconstrução de autonomia nas decisões cotidianas
-
redefinição de valores e prioridades
-
atualização da própria história — integrando a relação vivida sem que ela defina toda a identidade
Também pode haver oscilações entre maior clareza e momentos de saudade ou idealização. Essas variações podem ser compatíveis com o processamento emocional e não indicam, por si só, retrocesso.
O foco tende a não ser “apagar” a experiência, mas integrá-la de forma menos central, permitindo que a identidade se torne novamente mais ampla do que o relacionamento encerrado.
3. Técnicas da TCC Aplicadas ao Luto
A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) — utiliza ferramentas estruturadas que podem auxiliar na travessia de momentos dolorosos, podendo favorecer a compreensão de padrões, salientando os recursos pessoais e da narrativa sobre si e sobre os vínculos — dentro do ritmo e das condições de cada pessoa.
Conclusão
REFERÊNCIAS
DICIONÁRIO Aurélio.
Amor.
[Online]. Disponível Em Http://Www.Dicionariodoaurelio.Com/Amor.Html.
Acesso Em 23 De Junho De 2013.
FABICHACK, Cibele.
Amor, Sexo, Endorfinas E Bobagens.
São Paulo, 2010.
FISHER, Helen E.; BROWN, Lucy L.; ARON, Arthur; STRONG, Greg; MASHEK, Debra. Reward, addiction, and emotion regulation systems associated with rejection in love.
Journal of Neurophysiology, v. 104, n. 1, p. 51–60, jul. 2010. doi:10.1152/jn.00784.2009.
FROMM, Erich.
A Arte De Amar.
São Paulo. Martins Fontes. 1971
KÜBLER-ROSS, E.
Sobre A Morte E O Morrer.
8.Ed. São Paulo: Martins Fontes, 1998.
SOUZA, Tuhany Barbosa.
Amor Romântico.
Monografia de Conclusão De Curso.
Uniceub, 2007.
ZWIELEWSKI, Graziele; SANT'ANA, Vânia.
Detalhes de protocolo de luto e a terapia cognitivo-comportamental.
Rev. bras.ter. cogn., Rio de Janeiro , v. 12, n. 1, p. 27-34, jun. 2016 .
Disponível em <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1808-56872016000100005&lng=pt&nrm=iso>. acessos em 14 fev. 2026. https://doi.org/10.5935/1808-5687.20160005.
Leituras Recomendadas
Sobre o Atendimento
Você não precisa enfrentar isso sozinho(a)
Se você chegou aqui, estava procurando por .
Caso seja do seu interesse, você encontrará as informações logo abaixo:
Maristela Vallim Botari CRP-SP 06-121677
Localizada na Avenida Paulista, em São Paulo, que oferece atendimentos桥 presenciais e online. Com mais de 12 anos de Experiência profissional
"Considero que somos mais do que a soma das partes, e meu trabalho consiste em ajudar o cliente a montar o quebra-cabeça da vida, juntando peças que aparentemente não fazem sentido separadamente."
Saiba o que esperar da psicóloga
O trabalho é apresentado com foco na Tcc com Acolhimento Humanizado pode ser integrada para auxiliar na compreensão da singularidade de cada história, atendendo diferentes faixas etárias e modalidades de terapia.
Como a psicóloga pode ajudar?
Na psicoterapia, o trabalho é organizado para possibilitar a identificação de padrões emocionais e comportamentais que se repetem ao longo da história do paciente e acabam por afetar relacionamentos, autoestima ou bem-estar emocional.
São examinadas as formas de interpretação das situações e a maneira como a pessoa se percebe dentro de suas relações. Recursos psicológicos de enfrentamento podem ser explorados, assim como questões de posicionamento pessoal.
A sessão de terapia é conduzida de maneira individualizada, considerando a singularidade de cada pessoa.