No meio de uma tarde de feriado, reencontrei um filme que é uma verdadeira aula de psicanálise: "O Espelho Tem Duas Faces" (com Barbra Streisand e Jeff Bridges). A trama nos apresenta Gregory Larkin e Rose Morgan, dois professores da Columbia University que, marcados por decepções passadas, decidem selar um pacto de casamento baseado puramente no intelecto, excluindo qualquer intimidade física.
Embora a sinopse sugira uma comédia romântica clássica, o enredo mergulha profundamente nas triangulações amorosas e, principalmente, nos complexos mecanismos de defesa que utilizamos para evitar o sofrimento.
As Triangulações e a Herança Familiar
As triangulações no filme não começam no casal principal, mas sim na relação entre a mãe (vaidosa e crítica) e suas duas filhas. Claire, a filha que atende aos padrões estéticos da mãe, e Rose, que se refugia nos dotes intelectuais para lidar com a sensação de inadequação. Esse cenário reflete muito do que uma Psicóloga costuma observar em casos de baixa autoestima e busca por aceitação.
A dinâmica se estende para o triângulo Alex-Claire-Rose: Claire casa-se com Alex (a grande paixão de Rose) menos por amor e mais para "provar" sua superioridade sobre a irmã, evidenciando como o ciúme e a competição fraterna moldam escolhas afetivas.
Mecanismos de Defesa em Cena
O filme ilustra com maestria como nos protegemos de conteúdos recalcados. Gregory, após sofrer uma rejeição dolorosa, utiliza defesas robustas para não se sentir "menos indivíduo".
- Negação: Gregory abandona uma aula de Rose sobre amor romântico no momento em que as palavras "paixão" e "casamento" começam a incomodar. É o processo de negar que tais sentimentos lhe pertencem para evitar a dor.
- Intelectualização: Ocorre quando o indivíduo busca uma formulação discursiva para seus conflitos. Gregory tenta explicar a atração sexual através de fórmulas matemáticas complexas.
- Racionalização: Rose utiliza esse mecanismo ao afirmar que o sexo é um "sentimento inferior" e que o melhor do casamento é apenas a convivência lógica, tentando dar uma explicação aceitável para a falta de intimidade.
Como aponta o Vocabulário de Psicanálise de Laplanche & Pontalis, o conteúdo reprimido sempre encontra um jeito de vir à tona, seja por sinais ou sintomas. No filme, a "jaula" da racionalização acaba se tornando pequena demais para a natureza dos sentimentos humanos.
Para quem deseja entender como essas defesas operam na vida real, o filme é uma recomendação valiosa. É um convite para olhar além do espelho e encarar o que tentamos esconder de nós mesmos.
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