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Psicoterapia em S. Paulo - Psicóloga Maristela Vallim Botari - CRP/SP 06-121677

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Amor: Vamos falar sobre este sentimento?

Amor: Um Olhar da Psicologia sobre os Vínculos

"Já se perguntou como surge o amor? Por que nos sentimos conectados a alguém?" 

"Já se perguntou como surge o amor? Por que nos sentimos conectados a alguém?"

 

O amor é um tema complexo e fascinante. A psicologia o estuda sob várias perspectivas, desde as origens biológicas até o impacto nas relações interpessoais. Como vínculo afetivo, ele é fundamental no desenvolvimento infantil, influenciando nossa capacidade de formar relações de confiança no futuro. 

O amor é um tema complexo e fascinante na psicologia. 


A psicologia estuda o amor de várias perspectivas, incluindo suas origens, manifestações, efeitos emocionais e impacto nas relações interpessoais. Vamos explorar alguns aspectos importantes relacionados ao amor na psicologia:

  • Amor como um vínculo afetivo: Na psicologia do desenvolvimento, o amor é visto como um vínculo afetivo que se forma entre cuidadores e crianças, principalmente nos primeiros anos de vida. Essa relação é fundamental para o desenvolvimento saudável da criança, pois influencia sua capacidade de formar relacionamentos seguros e de confiança no futuro.

  • Teorias do amor: Existem várias teorias que buscam explicar o amor romântico entre adultos. Por exemplo, a Teoria da Atração Social sugere que nos sentimos atraídos por pessoas que possuem características desejáveis e que nos recompensam emocionalmente. A Teoria do Apego sugere que o amor romântico é baseado em padrões de apego desenvolvidos na infância.

  • Amor e bem-estar emocional: O amor pode ter um impacto significativo no nosso bem-estar emocional. Relacionamentos amorosos saudáveis fornecem apoio emocional, intimidade e senso de pertencimento. Por outro lado, o término de um relacionamento amoroso pode causar dor emocional, estresse e até mesmo problemas de saúde mental, como depressão e ansiedade.

  • Amor e psicopatologia: Algumas condições psicopatológicas podem afetar a capacidade de amar e ser amado. Por exemplo, pessoas com transtornos de personalidade, como o transtorno borderline de personalidade, podem ter dificuldades em estabelecer relacionamentos estáveis e saudáveis devido a instabilidade emocional e medo de abandono.

  • Amor próprio: Além do amor romântico e dos relacionamentos interpessoais, a psicologia também enfatiza a importância do amor próprio. Ter uma autoestima saudável e cultivar o autocuidado são fundamentais para o bem-estar emocional e para estabelecer relacionamentos saudáveis com os outros.

Esses são apenas alguns dos muitos aspectos relacionados ao amor na psicologia. O estudo do amor continua sendo uma área de pesquisa ativa e em constante evolução, à medida que os psicólogos buscam entender melhor as complexidades desse sentimento humano universal.


 

A Teoria Triangular de Sternberg

Segundo Robert Sternberg (1986), o amor é composto por três elementos básicos: Paixão, Intimidade e Compromisso. A combinação desses fatores gera diferentes formas de amar:

[Image of Sternberg's Triangular Theory of Love diagram]
Forma de Amor Composição
Amor Romântico Paixão + Intimidade
Amor Companheiro Intimidade + Compromisso
Amor Consumado Paixão + Intimidade + Compromisso

Considera-se que o amor é a fusão de três atitudes: paixão, intimidade e comprometimento (Sternberg, 1986).

  • Paixão: apego físico, necessidade de tocar e sentir o corpo do outro; pele com pele.

  • Intimidade: vai além da confiança básica, chegando às confidências íntimas; não há medo de julgamento ou rejeição. Exige aceitar o outro como ele é.

  • Compromisso: desejo de estar com o outro apesar de todos os empecilhos; de levar a relação adiante; de manter proximidade.

 


Vamos analisar os três elementos separadamente:
 
Paixão - O amor difere da paixão, especialmente no que se refere à forma como é sentido. A paixão é um conjunto de reações emocionais, de ordem biológica que é desencadeada de acordo com Fabichak (2010):


O sistema de atração [...] possui três características básicas: sentimentos de felicidades sobre o ser amado; pensamentos intrusivos, ou seja, pensamentos repetitivos sobre o amado [...] e um desejo ardente pela união emocional com o parceiro (p. 47).


Intimidade – Implica em partilhar ocorrências boas e ruins, uma vez que envolve a confiança na pessoa amada. 
Aliás, um dos aspectos que torna esta pessoa tão desejada é o fato de que ela não se mostra ameaçadora, portanto confiável (Observe que este conceito de confiabilidade varia de pessoa para pessoa). 

Se a pessoa é confiável, significa que você poderá contar com ela em diversos momentos. A intimidade é diferente da confluência, pois é possível manter uma relação de intimidade com alguém sem fundir-se a ela, mantendo a individualidade.


Compromisso – é o engajamento na relação que pressupõe levá-la adiante (até onde for possível), buscando a superação de adversidades.


 

A Teoria do Apego

John Bowlby e Mary Ainsworth demonstraram que temos uma necessidade inata de formar laços emocionais. Vínculos seguros na infância oferecem uma base sólida para explorar o mundo e regular emoções. Estudos clássicos, como os de Harry Harlow com macacos rhesus, reforçam que o conforto emocional e o contato afetivo são tão essenciais quanto a própria nutrição física.


Na psicologia do desenvolvimento


A teoria do apego de John Bowlby é uma das abordagens mais influentes quando se trata do amor como um vínculo afetivo. 

Bowlby propôs que os seres humanos têm uma necessidade inata de formar laços emocionais fortes com os cuidadores, geralmente os pais, como uma forma de segurança e proteção. 

Esses laços, conhecidos como vínculos de apego, começam a se formar nos primeiros anos de vida.

Os vínculos de apego fornecem uma base segura para explorar o mundo, enfrentar desafios e regular as emoções. 

Crianças que desenvolvem vínculos de apego seguros com seus cuidadores tendem a ter uma base emocional sólida que as ajuda a lidar melhor com o estresse e a desenvolver relacionamentos saudáveis mais tarde na vida.

Por outro lado, quando o vínculo de apego é interrompido ou não é desenvolvido adequadamente, pode levar a dificuldades emocionais e relacionais. A teoria do apego sugere que experiências de negligência, abuso ou separação precoce podem afetar negativamente o desenvolvimento emocional e a capacidade de formar relacionamentos seguros e saudáveis.

Um estudo clássico no campo do apego é conhecido como "Estudo da Situação Estranha" (Strange Situation Study), realizado por Mary Ainsworth e seus colaboradores. 

Nesse estudo, observou-se como bebês reagem em situações de separação e reunião com suas mães. Essas observações permitiram identificar diferentes estilos de apego, como apego seguro, ansioso-ambivalente e evitativo, que podem ter implicações ao longo da vida.

Outro autor relevante no estudo do amor como vínculo afetivo é Harry Harlow. 

Em seus estudos com macacos rhesus, Harlow investigou a importância do contato e do apego emocional na formação de laços afetivos. 

Ele descobriu que, mesmo quando fornecidas com alimentação adequada, as crias de macaco preferiam aconchegar-se a uma mãe artificial macia, que fornecia conforto emocional, em vez de uma mãe artificial de arame que fornecia apenas alimento. 

Esses estudos destacaram a importância do vínculo emocional e do contato afetivo nas relações interpessoais.

Essas são apenas algumas informações gerais sobre o amor como vínculo afetivo na psicologia do desenvolvimento. 

Caso queira aprofundar seu conhecimento ou obter fontes específicas sobre o assunto, recomendo consultar livros e artigos acadêmicos sobre a teoria do apego, como os trabalhos de John Bowlby e Mary Ainsworth.


O amor romântico

O amor romântico é uma construção social e histórica. Nas sociedades antigas, as relações entre casais não eram baseadas na paixão, mas sim em práticas relacionadas à sobrevivência. 

No entanto, no século XII, surgiu o conceito de amor romântico, caracterizado por amar o amor mesmo que isso implicasse sofrer até a morte. 

Esse sentimento amoroso se tornou uma crença, mantendo-se vivo na busca pela felicidade plena, exaltando o bem-estar que permite a vida e perpetuando o mito do amor (CUNHA, 2008).

Diversas formas de mídia, como contos de fadas, novelas, filmes, livros de romance e reality shows, contribuem para a manutenção desse mito. Os mitos revivem os sentimentos e a imaginação coletiva da humanidade. 

Além disso, as imagens evocadas pelo uso do mito são um caminho perfeito para atrair o público ávido por novidades e em busca de sentido para as dificuldades do cotidiano. Nesse sentido, o mito deixa de ser apenas uma história para se tornar uma forma de pensar e conscientizar (CUNHA, 2008).

A literatura brasileira também está repleta de histórias apaixonantes de amores impossíveis, com finais tanto felizes quanto infelizes. Essas narrativas muitas vezes retratam os conflitos de interesses e as lutas de classes, que dificultavam a união dos casais amorosos (CUNHA, 2008).




 




8 Formas de Amar (Teoria Triangular do Amor de Sternberg)

Forma de Amor Paixão Intimidade Compromisso Descrição
1. Não-Amor Não Não Não Ausência dos três componentes. Representa a maioria dos relacionamentos casuais ou conhecidos.
2. Gostar (Amizade) Não Sim Não Sentimento de conexão, proximidade e calor. É a essência de uma amizade verdadeira sem atração física ou compromisso romântico.
3. Paixão (Amor à primeira vista) Sim Não Não Caracterizado pela atração intensa e desejo, mas sem intimidade ou compromisso duradouro. É o "amor à primeira vista".
4. Amor Vazio Não Não Sim Baseado apenas na decisão de manter o relacionamento. Ocorre em casamentos de longa data onde a paixão e a intimidade se esvaíram.
5. Amor Romântico Sim Sim Não Combina atração física e desejo (Paixão) com conexão e confidência (Intimidade). Frequentemente visto em relacionamentos no início, sem planos de longo prazo.
6. Amor Companheiro Não Sim Sim Combina conexão profunda (Intimidade) e a decisão de permanecer junto (Compromisso). É comum em casamentos de longa data onde a paixão diminuiu.
7. Amor Fátuo (Louco) Sim Não Sim Combina atração (Paixão) e decisão de compromisso, mas sem tempo para desenvolver a intimidade profunda. É um relacionamento rápido, apressado.
8. Amor Consumado (Perfeito) Sim Sim Sim Combinação ideal e completa dos três componentes. É a forma de amor que muitos almejam, mas é considerada a mais difícil de alcançar e manter.

*Baseado na Teoria Triangular do Amor de Robert Sternberg (1986)


 

Como a psicoterapia pode ajudar a entender o amor

A psicoterapia pode desempenhar um papel importante no auxílio ao entendimento do amor, uma vez que é um tema complexo e multifacetado. Aqui estão algumas maneiras pelas quais a psicoterapia pode ajudar nesse processo:

Explorar experiências passadas: Através de um ambiente terapêutico seguro e confidencial, a pessoa pode explorar suas experiências passadas relacionadas ao amor, como relacionamentos anteriores, padrões de apego e dinâmicas familiares. Isso pode ajudar a identificar influências e padrões que podem estar afetando a forma como ela vivencia o amor no presente.

Autoconhecimento: A psicoterapia oferece um espaço para a pessoa explorar seus próprios sentimentos, valores, crenças e necessidades em relação ao amor. Isso inclui examinar suas expectativas, desejos e medos relacionados ao amor e aos relacionamentos íntimos. O autoconhecimento pode permitir uma compreensão mais clara de si mesmo e de suas próprias motivações e padrões de comportamento.

Identificar padrões disfuncionais: A terapia pode ajudar a pessoa a reconhecer e compreender padrões de relacionamento disfuncionais que possam estar interferindo em sua capacidade de amar e ser amada de forma saudável. Isso pode incluir padrões de dependência emocional, medo do compromisso, evitação emocional, entre outros. Ao identificar esses padrões, a pessoa pode trabalhar para rompê-los e desenvolver relacionamentos mais saudáveis e satisfatórios.

Desenvolver habilidades de relacionamento saudáveis: Através da psicoterapia, a pessoa pode aprender habilidades e estratégias para melhorar seus relacionamentos. Isso pode envolver a melhoria da comunicação, o estabelecimento de limites saudáveis, o desenvolvimento da empatia e da resolução de conflitos. A terapia pode ajudar a pessoa a adquirir um conjunto de habilidades interpessoais que a capacitem a construir relacionamentos mais amorosos e gratificantes.

Transformar crenças limitantes: A psicoterapia pode ajudar a pessoa a desafiar e transformar crenças negativas ou limitantes sobre o amor e a intimidade. Muitas vezes, as pessoas carregam consigo crenças arraigadas, como "não sou digno de amor" ou "todos os relacionamentos acabam em decepção". A terapia pode ajudar a pessoa a examinar essas crenças e substituí-las por pensamentos mais realistas e saudáveis, promovendo uma perspectiva mais positiva em relação ao amor.

É importante lembrar que a psicoterapia é um processo individualizado, e cada pessoa terá suas próprias experiências e desafios em relação ao amor. Um(a) psicólogo(a) ou terapeuta qualificado(a) pode oferecer suporte e orientação personalizados para ajudar a pessoa a entender e cultivar relacionamentos mais saudáveis e significativos.






Referências




Bowlby, J. (1969). Attachment and Loss: Vol. 1. Attachment. Basic Books.Este é o trabalho seminal de John Bowlby, que introduziu a teoria do apego e explorou a importância do vínculo afetivo na infância.

CUNHA, Maria de Lourdes da Conceição. Romantismo: o mito do amor impossível. 2008. [online]. Disponível em http://www.abralic.org.br/anais/cong2008/anaisonline/simposios/pdf/013/maria_cunha.pdf. Acesso em 24/06/2012


DICIONÁRIO Aurélio. Amor. [Online]. Disponível em http://www.dicionariodoaurelio.com/Amor.html. Acesso em 23 de junho de 2013.


FABICHACK, Cibele. Amor, Sexo, endorfinas e bobagens. São Paulo, 2010.


FROMM, Erich. A arte de amar. São Paulo. Martins Fontes. 1971


SOUZA, Tuhany Barbosa. Amor Romântico. Monografia de Conclusão de curso. UNICEUB, 2007


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