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Relacionamentos afetivos: diferentes tipos de apego





Alguns indivíduos se queixam da dificuldade em encontrar o “par perfeito”, a “alma gêmea”, etc, e nesta busca enveredam por mil caminhos diferentes, percorrendo caminhos tortuosos.

Não é uma busca fácil, porque a dificuldade não reside na busca especificamente, mas no ajustar-se ao outro. Algumas pessoas querem um parceiro prontinho, perfeitinho e de preferência embalado para presente.

Considerando que as relações se estabelecem em função das gratificações que proporcionam, é natural que os indivíduos busquem se relacionar com pessoas que possam “preencher” suas necessidades mais elementares de afeto.

Para Bowlby (2006) a ontogenia dos vínculos afetivos se desenvolve porque os indivíduos nascem necessitam de uma base segura, ou seja, de alguém que possa garantir segurança e por esta razão desenvolvem diferentes tipos de apego, de acordo com que vivenciaram durante as fases do desenvolvimento.

O autor destaca três tipos diferentes de apego:

- Ansioso – padrão de apego marcado pela dificuldade emocional de se separar do objeto do amor. Pessoas com este padrão podem exigir demonstrações excessivas de afeto da outra parte tornando, algumas vezes, o relacionamento sufocante.

- Seguro – este padrão se caracteriza pela forma maleável de se colocar numa relação. Pessoas com este padrão tendem a não exigir da outra parte aquilo que não conseguem dar, e buscam a manter a relação equilibrada. Geralmente conseguem compreender o que o outro está sentido e tendem a agir de modo a minimizar-lhes as angústias.

Evitativo- este padrão de apego deveria se chamar “padrão de desapego”, uma vez que as pessoas evitativas sentem-se incomodadas demais com a intimidade e a proximidade. Geralmente as pessoas com este padrão levantam “muros” entre si e os outros, permitindo às vezes pequenas brechas, por onde o outro poderá as vezes olhar e talvez compreender um pouco o que se passa com este indivíduo.

Abreu (2005) nos informa que a vinculação entre casais apresenta semelhanças com a vinculação infantil, salientando que:

a) da mesma forma que a criança, o adulto tende procurar seu parceiro nos momentos de grande ansiedade;

b) a imagem de seu cônjuge é associada à conforto e segurança (base segura);

c) a separação gera ansiedade, tanto na criança que se separa dos cuidadores, quanto no adulto que se separa do seu par. (p.149)


Naturalmente esta categorização é aproximada, bem como seus motivos, pois é comum ver-se crianças que tiveram uma infância dramática tornarem-se adultos confiantes e vice-versa. Repito: o que temos aqui exposto são aproximações conceituais.


Entretanto, apesar destas diferenças, o relacionamento afetivo entre pessoas diferentes pode sim dar certo, mas para isso é necessário que os pares se apropriem das suas diferenças, sem negá-las, assumindo defeitos e qualidades e mantendo sempre um diálogo aberto  com o parceiro.

Os autores Levine e Heller (2013) descrevem que é possível que as pessoas com diferentes tipos de apego se relacionem entre si obedecendo alguns princípios básicos de convivência.

Os tipos ansiosos geralmente exigem atenção e demonstração de afeto, a fim de que conseguirem a confirmação que são realmente amados. Entendem que uma relação seja como uma fogueira que deve ser cuidada para que não se extingua. Para quem se relaciona com indivíduos que se aproximam deste padrão de apego, os autores (op. cit.) sugerem que ofereçam a eles a base segura que lhes falta.

Porém isto nem sempre é fácil. Oferecer segurança a quem não adquiriu ao longo do desenvolvimento pode ser uma tarefa dolorosa, pois requer muita sabedoria. É necessário que haja um diálogo claro, onde as pessoas busquem conhecer suas necessidades afetivas e consigam equilibrar os ganhos e as perdas, evitando invasão. Nestes casos é fundamental que haja uma real compreensão dos motivos que levam um indivíduo a demonstrar ansiedade diante de eventos corriqueiros.

Os evitativos são o extremo oposto: querem garantir sua independência a qualquer custo. Segundo Levine e Heller (2013) isto não significa que eles não amem seu parceiro, apenas que precisam manter seu espaço preservado. Tais indivíduos geralmente não costumam partilhar seu afeto além daquilo que julgam adequando, uma vez que temem que serão invadidos e terão sua individualidade comprometida. Os autores (op. cit.) acreditam que a melhor forma se se relacionar com estes indivíduos é oferecendo a eles o espaço necessário para viverem de forma autêntica.
Mas isto também não é fácil! Afinal que se relaciona geralmente deseja compartilhar vivências e afetos. Nestes casos, Levine e Heller (2013) sugerem alta dose de paciência e compreensão, para negociar com o parceiro evitante o espaço necessário para o relacionamento. Convém não forçá-lo a estabelecer relações mais íntimas do que podem oferecer, uma vez que esta atitude evitativa possivelmente foi adquirida ao longo do desenvolvimento. Por isso “forçar a barra” só vai fazer com que ele se afaste ainda mais.

No entanto, a sugestão que se faz para quem está com dificuldades de se relacionar com o ansioso ou com o evitante é que verifique prioritariamente as próprias necessidades afetivas e a disposição em negociar com pessoas diferentes e pouco dispostas a mudar. Se o relacionamento for gratificante, convém buscar apoio terapêutico para mediar os conflitos e ajustar as necessidades.

Referências

ABREU, C. N. de. Tipos de apego: Fundamentos, Pesquisa e Implicações Clínicas. São Paulo. Casa do Psicólogo, 2005

BOWLBY, J. A. Formação e rompimento dos vínculos afetivos. Martins Fontes, 2006, São Paulo.


LEVINE, A; HELLER, R.S.F. Apegados: um guia prático para estabelecer relacionameentos românticos e duradouros. Ribeirão preto. Ed. Novo Conceito: 2013.

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